DEPOIMENTOS
“Sou pescador e a pesca artesanal é uma pesca de baixo impacto.
Geralmente o pescador tem um barco pequeno e, quando o tempo ajuda,
vamos de manhã e voltamos com o peixe fresco, um peixe saudável.
Durante a pandemia da COVID, nós pescadores não paramos, não deixamos faltar peixe nas comunidades.
Eu mesmo muitas vezes levei peixe de graça para algumas pessoas.
A pesca artesanal é muito importante na alimentação e no sustento de outros profissionais, movimenta um ciclo enorme, quem vende gelo, quem faz a rede, quem conserta um barco e por aí vai.
Então, nós, pescadores artesanais, somos muito importantes.”
“Aqui já teve muitos pescadores.
É um local caiçara mesmo, antes tinha bancas de peixe aqui no canto da praia.
Os barquinhos de camarão são pioneiros. Quando eu era moleque, aqui tinha uma faixa de 20 barcos de camarão, mas o tempo foi passando e, hoje, os filhos não querem fazer o que os pais faziam. Hoje tem dois barquinhos de camarão e mais dois ali para enfeitar.
Astúrias é uma comunidade de pescadores de camarão e emalhe, mas hoje tem muito mais embarcações trabalhando na malha aqui do que no camarão.
É uma comunidade muito antiga, não existia prédios, era tudo mata verde, morro, uns pés de jambolão bonito. A gente vinha na praia para comer jambolão.
Hoje temos um grupo de pelo menos 20 pescadores que saem daqui quase todos os dias para pescar e voltam com seu pescado e entregam nas bancas e vendem um pouco na praia, mas somos podados pela vigilância. A tradição do caiçara é pegar o peixe e vender na praia, vender para as pessoas que querem comer um peixe fresco, mas com tanto impedimento, os pescadores acabam vendendo para o peixeiro e os peixeiros vendem pelo dobro do preço. A população poderia vir, comprar mais barato direto com o pescador e mais fresco.”
“Eu pesco desde os meus 12 anos, eu nasci aqui no Guarujá, mas vim para cá, para Astúrias com 17 anos. No começo, não tinha tanto prédio, já tivemos problemas com moradores de prédios, que na verdade querem tomar conta da praia, mas a maioria dos moradores gostam desse canto caiçara e vem comprar peixes com a gente, eu entrego meu peixe na peixaria e vivo só da pesca. Sou de uma família de pescadores, meu pai, meu avô, meus tios são todos pescadores.”
